A ORIGEM

A origem de Santa Rita D'Oeste se deu como muitas outras cidades dos anos 1950. Com o Brasil em pleno desenvolvimento, foram necessárias varias ações para que o “sertão” fosse desbravado. A história de Santa Rita se confunde, em partes, com a de Santa Fé do Sul e de outros municípios vizinhos, como Rubineia, Santa Clara D’Oeste e Três Fronteiras. A Fundação ocorreu por meio da CAIC (Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização), uma companhia que comprava grandes glebas de terra, loteava e vendia aos interessados com o intuito de formar cidades e obter mãos de obra para o desenvolvimento econômico sustentado pelo café. Em seu território houve confrontos, quando a mesma ainda era habitada por indígenas, como o movimento do “Arranca Capim”, um grande marco social, cultural e histórico do município.

A CHEGADA DOS PIONEIROS

Década de 1940, momento em que o pós- guerra praticamente expulsou famílias inteiras da Europa por conta da completa destruição do continente, e por consequência muitos desembarcaram no Brasil em busca de oportunidades únicas. Uma terra onde se acreditava florescer tudo o que se plantasse. Centenas de milhares de imigrantes chegaram a São Paulo e Rio de Janeiro. A mão de obra em abundância era importante para o desenvolvimento do país, porém isso começava a gerar um grande problema de superlotação das capitais. Assim, era necessário realocar as pessoas em outras regiões, onde todos pudessem produzir de forma plena. Para tal finalidade foi criada a CAIC (Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização), que loteava grandes latifúndios, fazia propaganda aos que estavam interessados e vendia em pequenas propriedades.

HISTÓRICO DA CAIC

Para que essa história possa ser contada, não há como deixar de falar sobre a CAIC. Muitos já ouviram algo sobre ela, mas a maioria das pessoas não tem ideia do que representou no passado. Esclarecer seu significado ajudará a entender a história de Santa Rita d'Oeste, bem como de vários outros municípios brasileiros. Conhecida carinhosamente pelo povo como a “mãe da pobreza”, a CAIC foi fundada no dia 16 de Julho de 1928, como Companhia Geral de Imigração e Colonização do Brasil (CGICB), através de uma iniciativa dos acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, com o objetivo de fornecer braços à agricultura e criar meios para colonizar o país, abrindo espaços para o avanço dos trilhos da estrada de ferro. Com sede em São Paulo, a companhia inicialmente tinha a intenção de se expandir para outros estados e, tendo como principal objetivo a colonização, foi á responsável por trazer imigrantes para trabalhar na lavoura cafeeira. Com a crise de 1929, a economia cafeeira foi atingida, cabendo a CGICB, assumir a tarefa de lotear grandes latifúndios de café. Os núcleos originais de fazendas deram origem a diversos municípios do interior de São Paulo. Em outubro de 1934, a empresa mudou seu nome para Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (CAIC), mais adaptada a sua nova atuação, que era voltada ao loteamento de pequenas propriedades, à policultura de mão de obra familiar e imigrante. No ano de 1958, a companhia mudou mais uma vez de nome, passando a se chamar Companhia Agrícola Imobiliária e Colonizadora, mantendo a mesma sigla, e a partir de então, passou a comprar e vender imóveis rurais. A Companhia foi vinculada à Secretaria da Agricultura e, no ano de 1961, assumiu a execução do Programa de Revisão Agrária. Na década de 1970, passou a se destacar na mecanização agrícola e a prestar serviços remunerados aos agricultores de desmatamento e demais profissionais relacionados. Nos anos de 1970, a CAIC se dedicava também ao reflorestamento do estado. Em 1986, o Governo do Estado de São Paulo, incorporou a CAIC à Secretaria Executiva de Assuntos Fundiários (SEAF), criada para cuidar da implantação do Plano Regional de Reforma Agrária e, começando a atuar como braço operacional da reforma agrária no Estado de São Paulo, iniciou o trabalho nos projetos de assentamento rural do Estado. No ano de 1987, a CAIC desapareceu, dando lugar à CODASP (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo) que passou a regular os preços de mercado, e tornou-se referência em padrão de qualidade dos serviços de moto mecanização.

O INÍCIO – A FAZENDA

No início do século XX, muitos mineiros, em decorrência da queda da produção de ouro em Minas Gerais, foram em busca de outras áreas onde pudessem iniciar uma nova vida. Um dos locais preferidos foi o Noroeste do Estado de São Paulo. Os primeiros que chegaram à região encontraram selva densa, habitada por índios Caingangues. Esses pioneiros foram responsáveis pela dominação e expulsão dos indígenas que, pacificados, sem defesa e condições de luta, abandonaram definitivamente a região, deixando-a em posse de grileiros. Um poderoso fazendeiro mineiro, chamado Patrício Lopes de Souza, tomou para si quatro enormes fazendas na região, cortadas pelo rio Paraná e seus afluentes, sendo três no Estado de Mato Grosso e uma em São Paulo, onde hoje se encontram Santa Fé do Sul, Santa Rita D'Oeste e os demais municípios vizinhos. Com a morte do fazendeiro, iniciou- se um intrincado processo jurídico movido por dois grupos que alegavam com base em documentos inverídicos, direitos sobre a área. Um dos grupos sagrou-se vencedor da contenda. Consumada a grilagem, o grupo declarado proprietário das terras, a Sociedade Agrícola Glória e Furquin, foi dissolvida, a fazenda foi dividida em grandes lotes e vendida. Em 1920, o major inglês John Byng Paget adquiriu uma área de 32 alqueires da Fazenda Ponte Pensa. Acreditava-se que o major era um “testa de ferro” de um grupo petrolífero e que nunca veio ao Brasil. O interesse dessa empresa era a possível existência de petróleo na região, porém, pelo fato da Constituição de 1946, ter definido como patrimônio da União todo o subsolo brasileiro e a superfície, o interesse dos novos donos teve fim, e a terra foi vendida à CAIC, que loteou toda a região. A divisão foi feita em pequenas propriedades para que muitas famílias fossem instaladas de forma proposital. Em menos de três anos não havia mais lotes a serem vendidos. A grande procura por novas possibilidades de vida, e a ideia amplamente estimulada no reaquecimento do pós-guerra, fez nascer várias cidades, a exemplo de Santa Fé do Sul, cidade da qual Santa Rita foi distrito por alguns anos.

OS PRIMEIROS MORADORES

Até este momento da história, a fundação de Santa Rita confundiu-se com a de outras cidades, mas a partir daqui surgem os primeiros moradores, que construíram caminhos próprios que levaram à bela cidade atual. A fundação de Santa Rita D'Oeste não se deu por “um bravo homem que chegou a terra distante, desmatou tudo e começou a história com heroísmo”. Ela ocorreu pelo heroísmo de vários homens, mulheres e crianças que aqui chegaram, em condições inóspitas, atraídos por um sonho em comum, o de prosperar com a própria terra. Nesse sentido, a propaganda da CAIC atraiu muitas famílias, as quais chegaram praticamente juntas, com diferença de um ano ou dois, e se espalharam por vários pontos ao redor do loteamento, por isso não se pode arriscar em mencionar nome de uma ou duas pessoas como “fundadores”. Foram vários aglomerados de famílias que aqui chegaram, a exemplo dos: Crema Batista Lujan Estevam Lopes Hayashida Yoshida Zolim Freitas Queiroz Tavares Kaku Semesima Yamashita além de Avelino José Moreira e Otávio Ferreira Rocha, dentre outros tantos que, devido à falta de registros e de informações, não estão aqui elencados, mas que foram decisivos para o desenvolvimento de Santa Rita D'Oeste. Outro fator interessante foi a variedade de etnias que se juntaram: espanhóis, italianos, portugueses, japoneses, africanos e algumas outras. Um povo que veio com o intuito de prosperar, cada um com sua contribuição cultural trazida de suas origens. Não há duvida que essa miscigenação cultural contribuiu decisivamente para fazer de Santa Rita o que ela é hoje, uma cidade com gente trabalhadora, participativa e rica em cultura. Entre os anos 1945 e 1950, a propaganda da CAIC tinha atraído muitas famílias, que chegavam de vários lugares e se espalhavam pelas terras. Segundo os relatos emocionados das pessoas que aqui chegaram nessa época, as dificuldades eram muitas. As condições de vida eram tão precárias que nada se compara com o que possamos imaginar nos dias de hoje. A maioria das famílias juntavam o seus poucos pertences que jogavam em um caminhão, e vinham esperançosos para a nova terra. Quando chegavam, davam de cara com uma mata densa, muito trabalho pela frente, e pouca água. Muitos tiveram que deixar o caminhão com a sua mudança, a quilômetros de distância de onde ficariam, e carregar seus objetos por entre as “picadas de mato”, aberturas feitas a facão dentro da mata. Recém chegados à nova terra, construíram casas de “pau a pique”, com barro e telhado de folhas de bananeira, os mais abastados conseguiam o privilégio de terem telhas de cerâmica compradas na Vila União que hoje é Rubineia. A falta de água era um dos maiores problemas enfrentados pelos colonos, que até então, buscavam se abastecer nos córregos. Hoje, olhamos essa região e vemos a abundância de água, rios, córregos e nascentes para todos os lados, mas nem sempre foi assim. A escassez de água era grande, tanto é que existia até a profissão de “agueiro”, exercida pelo senhor Benedito Clemente. Ele trazia água de Santa Fé do Sul com sua charrete, o que ajudava abastecer o novo povoado. Outra profissão muito importante e de grande procura era a de “furador de poço”, exercida por Luiz Zolim, que, depois que o desmatamento se fez por completo, se encarregou de abrir vários poços no povoado, dos quais o mais importante foi o primeiro, aberto na baixada do córrego da Mina, que abasteceu o povoado por um bom tempo. As roupas eram lavadas nos córregos pelas mulheres que caminhavam por quilômetros com suas trouxas cheias de roupas e lá ficavam até que o serviço tivesse terminado. Muitas vezes os tecidos se sujavam por serem estendidos em precários varais de cipó.

FUNDAÇÃO DO POVOADO

Em 1952, Santino Fernandes de Souza, farmacêutico de Santa Fé do Sul, e Augusto Alves, comerciante da mesma cidade, adquiriram de Avelino José Moreira, dez alqueires de terra no Córrego da Mina, entre a estrada 7 e 51, onde começaram a lotear o que seria a cidade de Santa Rita. Para abrir a mata, contrataram o “Mateiro” Aníbal Domingos Vieira, que limpou o terreno dentro de seus limites. O trabalho era difícil e demandou vários meses. Para tanto, Aníbal construiu em um dos limites das terras, um pequeno rancho de pau a pique, que é considerada hoje, a casa símbolo de Santa Rita D'Oeste. O senhor Aníbal morou em Santa Rita por muitos anos, mas como era um homem de poucas palavras, não existem muitos relatos sobre ele. Após o término do trabalho de desmatamento, Otávio Ferreira Rocha iniciou o serviço de vendas dos lotes. No início, com madeiras da própria terra desmatada, José Barbosa construiu a primeira “venda” à beira do loteamento. Sua construção significa o marco inicial da colonização urbana de Santa Rita D'Oeste. Não demorou e muitas outras famílias começaram a se fixar nos lotes disponíveis. Seguido de José Barbosa, o senhor Santino montou uma farmácia e enviou Waldomiro Vasconcelos, prático que trabalhava com ele em Santa Fé, para tomar conta do novo negócio. No dia 22 de maio de 1952, no que todos acreditavam ser o centro do povoado, foi erguido um cruzeiro feito de madeira, construído de forma rústica por Geraldo Pereira de Brito e Olinto Bonfim, dois marceneiros que lavraram cada pedaço de madeira para construí-lo e, aos pés dele, rezaram a primeira missa, celebrada pelo padre Afonso Nijkrake, de Santa Fé do Sul.

ORIGEM DO NOME

O nome de SANTA RITA D’OESTE foi colocado em homenagem a sua padroeira Santa Rita de Cássia, que teve sua morte em 22 de maio de 1457, aos 76 anos de idade. Muitos se perguntam o porquê do “Oeste”, sendo que sua localização fica no sudeste do país, e a confusão se torna maior ainda, por ser ao lado de Santa Fé “do Sul”. No caso de Santa Fé do Sul, a intenção era batizá-la somente de Santa Fé, em homenagem à Salles Filho, um de seus fundadores, utilizando suas iniciais S e F, porém, como já existia uma Santa Fé no norte do país, foi resolvido que seria chamada de Santa Fé do Sul, simplesmente por dividir o país em dois, sul e norte. Já Santa Rita obedeceu aos princípios regionais que, de acordo com os estudos geográficos utilizados na época, se respeitavam os pontos cardeais simples e, aqui era o Oeste do Estado, e não o Noroeste, como é conhecido hoje.

A IDEIA DE CRIAÇÃO DO DISTRITO

Uma das curiosidades da época, que demonstra o espírito político e guerreiro do povo Santa-ritense, é a reunião que acontecia diariamente de baixo de uma paineira que ficava em frente à casa de Clemente Batista, um dos primeiros e mais participativos comerciantes do povoado. Considerada uma “Tribuna Pública”, era o lugar onde se discutia todo tipo de assunto, desde assuntos pessoais e pequenos, até fatos importantes como a criação do Distrito de Santa Rita D'Oeste. Um dos incentivadores das reuniões da paineira era José Antônio Castilho, responsável por organizar o povo para as assembleias, o mesmo liderou também a abertura da estrada que liga Santa Rita à Aparecida do Bonito, feita à base do facão e enxadão. Depois de ser discutida pela tribuna da paineira, a ideia da criação do distrito chegou até Santa Fé do Sul, no escritório da CAIC. Na ocasião, foram reunidas 16 pessoas, dentre elas, o Dr. Hélio de Oliveira (fundador de Santa Fé do Sul), Thomas Monte Vicente (então prefeito de Santa Fé), José da Graça Veiga, Dionísio Rulli, Alberto Pacheco, Santino Fernandes de Souza, Francisco Moreira Sobrinho e Otávio Oliveira da Rocha. Resolvidos os caminhos que deveriam ser seguidos para a conquista, e tendo Otávio Oliveira da Rocha como líder do movimento, José Cardoso, um mascate que comercializava ovos e aves por toda zona rural e urbana, encarregou-se de descobrir os eleitores que residiam no futuro Distrito. Com o levantamento feito, aprontaram a documentação e deram entrada na Assembleia Legislativa do Estado. O pedido foi feito por meio do Deputado Francisco Vieira que, na época, substituía o Deputado Salles Filho, que então, exercia a função de Secretário da Justiça do Estado.

CRIAÇÃO DO DISTRITO

Em 30 de setembro de 1953, através do Decreto Lei Estadual nº 2456, o povoado foi elevado à categoria de Distrito, pertencente ao município de Santa Fé do Sul. Pouco mais de um ano depois, foi instalado o cartório de Registro civil e nomeado como Juiz de Paz, Carlos Fuzza, um dos pioneiros. O primeiro registro de nascimento, conforme consta no cartório local, foi de Daniel Gomes, filho de Benedito Gomes e Eródia Artilha Gomes, registrado no dia 6 de fevereiro de 1956 o primeiro casamento, o de Manoel Messias dos Santos e Liége Barbosa da Rocha, realizado no dia 5 de abril de 1956 o primeiro óbito, inscrito no dia 1º de março de 1956, referiu-se à senhora Edna Alonso Cásseres. Já a primeira transação imobiliária se deu também no dia 1º de março de 1956. A partir de então, o pequeno distrito foi progredindo de tal forma que passou a destacar-se, e com isso viu a imediata possibilidade de emancipar-se de Santa Fé do Sul.

CRIAÇÃO E EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO

Pouco tempo se passou para que Santa Rita se tornasse o distrito mais importante e representativo de Santa Fé do Sul. O crescimento foi rápido, impulsionado pelas culturas de café bem sucedidas, o que atraiu muitos trabalhadores e suas famílias. O desenvolvimento foi tal que a emancipação política não tardou a vir, ainda que sem necessidade de grandes esforços ou de duras lutas legislativas. Em 31 de Dezembro de 1963, através do Decreto Lei Estadual nº 8050, e por meio de uma resolução de autoria de Jacob Pedro Carolo, o Distrito foi elevado à categoria de Município, desmembrando se do município de Santa Fé do Sul. Em 21 de março de 1965, em sessão presidida pelo Juiz de Direito Manoel Sorrilha, foi solenemente instalado o Município de Santa Rita D'Oeste, e empossados suas primeiras autoridades administrativas

A PRIMEIRA ELEIÇÃO

A primeira eleição foi feita entre José Sanches Duran e José Antônio Arede, contra Sebastião Evangelista de Souza e Orestes de Lima. Muitos podem se perguntar como Sebastião foi candidato a prefeito e foi eleito vereador na mesma legislatura? O fato é que, em 1965, a Lei eleitoral permitia que a pessoa se candidatasse a mais de um cargo, a exemplo de Sebastião, prefeito e vereador, que, neste caso, perdeu a eleição para prefeito, mas foi eleito vereador. No final do mandato, o prefeito eleito, José Sanches se afastou para concorrer a vaga de vereador, deixando o cargo para Jacomo Lezo, que assumiu a prefeitura por seis meses.

DISTRITO DE APARECIDA DO BONITO

Distrito de Santa Rita D'Oeste desde 1968, Aparecida do Bonito tem hoje em torno de 200 habitantes. Seu nome tem origem na devoção pela Nossa Senhora Aparecida, padroeira do distrito. O povoado localiza se no córrego do Bonito, daí o nome Aparecida do Bonito. Fica a 9 km de Santa Rita e seu acesso se dá pela vicinal Ítalo Biani. A exemplo de Santa Rita, sua origem se deu pela força de várias famílias que chegaram na época em que a CAIC comprou e fez o loteamento de pequenas propriedades. Há relatos de que nascera antes mesmo que a vizinha Santa Rita. Tudo era concentrado em uma única rua, onde se fixavam alguns comércios, casas e um campo de futebol. Até que, no início da década de 1960, Facundo Alonso Baldo, decidiu lotear parte de sua propriedade, fazendo com que o vilarejo crescesse consideravelmente e fosse formado o patrimônio de Aparecida do Bonito. Na ocasião do loteamento, a grande atração eram as máquinas que desciam dos caminhões. Era uma festa, os tratores iam alisando o terreno e demarcando os lotes. Facundo reservou ao centro, um espaço para a praça e a Igreja da Matriz. Os primeiros a chegar foram às famílias de Francisco Igino, os Lujan, Facundo Alonso, Domingos Manocchi, José Antônio Castilho, os Barbato, os Fagundes, dentre outros. Nas palavras de João Lujan, morador desde um ano de idade, no início, o povoado concentrava-se na parte baixa das terras, pela facilidade em encontrar água. Em 1968, Aparecida do Bonito foi elevada à categoria de Distrito de Santa Rita D'Oeste, e instalaram então, o Cartório de Registro Civil. Em seus tempos de glória, cuja população era grande por conta dos agricultores, o “Bonito”, como é popularmente chamado, tinha um comércio forte, teve farmácia, sorveteria, padaria, lojas e até um supermercado, o Alves de Santa Fé do Sul, que ficava onde atualmente, é o Centro Comunitário. Como lembra Walter Luiz dos Santos, esposo de Maria do Carmo, morador desde os quatro anos de idade: “Descendo a rua, tinha Manoel Thiago, dentista, depois a casa de Ítalo Biani, posteriormente a casa de Osvaldo Cuba. Tinha o armazém, o açougue e depois uma ruazinha que ia para os terrenos novos. Logo vinha a oficina de Sérgio Vicenzi e o posto telefônico, onde todos os moradores recebiam e faziam suas ligações. A energia elétrica chegou por volta de 1964, quando vinha de Santa Fé para Santa Albertina. Contam os moradores que, na ocasião, num gesto simbólico, assim que Thomas Monte Vicente então prefeito de Santa Fé do Sul, e Armindo Pilhalarmi, prefeito de Santa Albertina, deram as mãos, as luzes se acenderam, iniciando uma grande festa. Uma das coisas que mais movimentavam o povo naquela época foram os campeonatos de futebol. Existiam cinco times: o Bragança, o Timão, O Santaritense, o 22 de maio e o Buriti. As competições eram acirradas. A cada domingo tinha um jogo. A coisa era tão séria que tinha até eleição para Madrinha da Bola entre as moças do povoado. Outra atividade dos moradores era o foot, onde cerca de 60 moças andavam em volta da praça, enquanto os rapazes olhavam e se decidiam a cortejar uma pretendente. A exemplo de Santa Rita, seu povo veio em busca de trabalho e sempre valorizou a comunidade. Desde o início faziam quermesses para erguer a igreja, mantê-la e manter também obras assistenciais. A união do povo fez crescer, por alguns anos, o mais importante distrito de Santa Rita. Haja vista a quantidade de pessoas que a representaram politicamente. A representação política sempre foi um dos fortes de Aparecida do Bonito. Em todas as eleições, colocou pelo menos um representante na Câmara de Vereadores de Santa Rita. Um dos mais influentes foi Ítalo Biani, vereador por duas vezes, sempre lutou pelos interesses da comunidade em que vivia. Quando Santa Rita era distrito de Santa Fé do Sul, Aparecida do Bonito chegou a eleger um vereador para aquela casa de leis, na ocasião, José Cardoso. Aparecida do Bonito orgulha-se também em ter tido dois de seus filhos como prefeitos de Santa Rita D'Oeste, Manoel Ávila, por duas legislaturas, e João Baptista Lujan por três.

APARECIDA DO BONITO HOJE

Hoje, Aparecida do Bonito é um lugar calmo e ótimo para se viver, onde todos se conhecem e se ajudam. Aparecida do Bonito deixou de ser distrito em 1974, e voltou a ser um povoado de Santa Rita, mas isso não tirou seu brilho, ela continua sendo a “menina dos olhos” dos santaritenses. Suas ruas calmas, seu povo amistoso nos remete a lembrar dos bons tempos vividos em outrora.


Fonte: Texto Extraído da Obra – Santa Rita D’oeste – 60 Anos.
Autor – Eduardo Rodriguez Gastaldam.
Gentílico: Santa-ritense